sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Voltar para casa é

Voltar para casa é pousar em Guarulhos em Setembro e surpreender-se com São Paulo mais fria que Istambul. 8 graus? Cadê as CNTP tropicais?
É a caixa com todas as suas roupas de frio, exceto o moletom enrolado na cintura, vir por shipment mas a alfândega encontra-se em greve faz alguns meses...! Oi Brasil, te amo mesmo assim.
É comer coisa gostosa ao chegar na casa da sogra e salivar vendo na mesa arroz, feijão, carne com batatas e salada de alface com tomate. Thanks ;)
É não comer coisa gostosa ao decidir por um Big Mac na companhia da sua amiga de infância e conversar por 3 horas sentada num banco de shopping sem ver a hora passar.
É chamar sua prima de "fi" e lembrar de todas as gírias do interior, como, "Bem, Tá boa? tô e ocê?".
É compreender o que as pessoas desconhecidas dizem ao seu redor. Prestar atenção em tudo e entrar na prosa se achando best friend.
É descobrir que em SP existe a Rua Mesquita e dar risada.
É pegar um Cometa e encontrar o músico Diego Fiqueiredo dentro do ônibus , e, confirmar então que está definitivamente indo para Franca.
É chegar na Rodoviária de Franca e sua família estar esperando com uma faixa ENORME queimando sua reputação depois de passar 2 anos vivendo no "glamour" do exterior...
É encontrar seus velhos CDs originais exatamente onde deixou e um novo edredon florido na cama... o melhor presente sempre vem da mãe.
É a Cidinha te chamar de "cheirinho verde" e você achar tão simples e singelo...
É sentir falta da Bia latindo e causando no quintal.
É sentir falta do Zé causando em qualquer cômodo. Volta logo, irmão!
É tomar banho com sabonete da Natura e se achar conectada a Amazônia, assim, como se a floresta tropical fosse uma nave mãe.
É acompanhar as eleições americanas junto do seu pai.
É não acompanhar as eleições, ligar o DVD do Friends, seu pai pedir legenda em Portugês e ainda dar risada do Ross. "Sempre me diverti com esse seriado" OI?
É fazer um churras com a turma da 8a série e beber menos do que esperava. Tá mudada, hein?
É comer mingau de milho da vovó. É comer brigadeiro da prima.
É tomar suco de maracujá, sorvete de maracujá, mousse de maracujá, maracujá em TUDO. Me dá.
É perceber que você precisa cuidar da sua saúde porque jajá vai ganhar uns kilinhos a mais.
É ter curiosidade sobre o futuro profissional e pessoal, mas sentir medo, jamais! Você vai fazer seu futuro, escolhendo cada coisa a dedo...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

So this is goodbye...

Hi you guys!

So after 1 year and 10 months, my experience in the Turkish lands is gone with the winds. I know, it feels like I just arrived. "The flight TK016 has landed". Don't you remember? Tuba was waiting for me at the airport and cause of the bag delay, she announced my name many times. That night was raining so much I couldn't see 20cm from my nose and the sky was orange, like in a dramatic movie scene.

My first days were the start of an unknown journey. Everyone was asking, 'Maria, why Turkey'. The booming market, the job offer, Istanbul's strategic location... Of course I wasn't mature enough to see how this tunnel could be way much bigger than those expectations. At least there's a fact: I was brave enough to face it without being sure why before getting into to this reality. That was my best move ever.

Of course it was a risk, but, the unknown itself has beauty in it. You "just" have to release yourself from the way you already knew life, take a chance and make it work accordingly to the new culture. Is it easy to be a foreigner in here? Well, for sure it's not. Starting from the visa, resident permit and language... bla bla bla. It ain't the 3rd world war or something. The process is a continuous recognition that people are different from you, not better than you. You're just like everyone else, but you are able to adapt and take the best opportunities of it.

What I can 100% advise is: don't try to face the reality alone. First of all, find the love of your life in Istanbul. hahaha! That was soooo easy...c'mon! ;) However, of course you will NEVER meet two-tall-intelligent-tender sisters like Tulay and Nihan Uzun. Neither german-lkea/nutella-addicted like Laura. Or maybe soccer-jerseys-collector like Serhat... Anyways, making bonds and feeling beloved is the best part of it. You'll get by with a little help from your friends.

Do your job quick and good, but, be light/fresh with colleagues. At work we are all naturally overloaded, you don't wanna be the most annoying one. Just be and trust yourself. Why not trying to convince you were a ballet dancer, not a samba dancer? In an office the atmosphere should be professional, but when you came from a different country, people also expect you'll share your culture, traditions, talk about Franca (hometown) during breaks, get into table tennis championships, so you can always beat Tolga... touché!

And when you think you've had enough of it, you're missing your family and country that much you would jump in the next plane, hold on! I ain't saying "saudade" will finish at a glance, but, God will send you a new hot-blond-actress-Miami-style-boss that will shake up your work and social life, both at the same time! She was shy in the beginning, but, after a while, she was telling the rules and dealing the cards inside the Grand Bazaar!

I could go on all night talking about special people that crossed my path in Turkey. My friends I already met in NYC, my boyfriend, my managers and colleagues, sisters and brothers, friends... I wish I could tell everyone how much you made a difference in my life, how stronger I feel now after so many things lived together and how I changed while you guys were teaching me how to be a better person. Thank you thank you thank you 1 thousand billion times for every minute together. I am greatful.

Love,
M

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Levent, Kadikoy, Çiftehavuzlar, Acibadem

Oi pessoal!

Ultimamente tenho sentido saudades da minha adaptação na Turquia e de toda a curiosidade que sentia no começo da experiência. Arrependo-me de não ter feito vídeos com capítulos destes momentos iniciais em que eu tinha infinitas expectativas. Meu capítulo preferido seria com certeza o drama para encontrar uma moradia confortável com gente bacana.

Antes de sair do Brasil já sabia que ficaria hospedada alguns dias em Levent, um bairro europeu com visual todo misturado, confuso, de paisagem contrastante. É um bairro que possui tanto velharia quanto arranha-céu. Sim, lembro-me de alguns edifícios super altos que eram basicamente escritórios. Mas, onde fiquei, a parte antiga de Levent, tinha apenas apartamentos que pareciam estar trocando de pele, cinzentos, beges. O próprio apartamento da minha anfitriã era super bonito e decorado por dentro mas por fora era bem velho, não tinha elevador e a escadaria parecia uma viagem no tempo.

Como trabalharia em Fenerbahçe, do lado asiático, não fiquei mais de uma semana em Levent. Logo mudei para o meu primeiro bairro na Ásia chamado Kadikoy que é em poucas palavras um reduto de qualquer tipo de gente que vai pegar um transporte para o lado Europeu. Apesar de Kadikoy ser abarrotado e você inevitalmente esbarrar o tempo todo nas pessoas que parecem estar indo na direção oposta a sua, ele tem algo que me acalma. Aparentemente, controlo meu relógio e meu tempo em Kadikoy. Os prédios tem um aspecto histórico, antigo, até feioso. Apesar de ninguém se interessar pela história do lado asiático, pois, nenhum turista vem até o lado de cá, Kadikoy olha para mim e diz que muito aconteceu ali e que foi bom te-lo conhecido. As pessoas de Kadikoy são contemporâneas, misturadas, uma mistura de cariocas com paulistanas. Em Kadikoy tem muito bar, e a rua dos bares me lembra muito a rua Augusta. O pessoal que frequenta é mais alternativo, cabeça aberta e a vida noturna tem movimento. Há outras facilidades também como feiras, bazar de peixe, lojas de celulares, brechós, um bondinho vintage e até uma loja de roupas de tecido orgânico onde comprei um vestido hippie. Na época que morei temporariamente em Kadikoy, dividia um quarto com uma turca loira, bem louca. Mas era bom demais como ela não parava de falar por um segundo eu não me sentia sozinha nesse começinho.

Depois de um mês em Kadikoy me bateu um leve desespero. O quartinho dividido com a turca loira começou a me sufocar pois sabia que assim que o inverno passasse, o quarto ficaria quente, sem ar fresco. Além disso ficaria um ano aqui, precisaria de mais espaço. Tanto pedi por espaço que ganhei uma sala inteira só para mim!!! :) Depois de tantos dias e horas no craigslist.com, no sahibiden.com e não ter encontrado nada, a Tulay me convidou para morar na casa dela em Çiftehavuzlar. Confesso que fiquei em dúvida pois dormiria na sala mas eu queria tanto morar na companhia dela que nem me importava de ficar na sala. Na verdade, ganhei o maior "quarto" com tv, sacada gigante e uma vista para vários pinheiros. Por ser sala, meu quarto já era o "point" da casa antes de me mudar! :) Morar com a Tulay, Nihan e Ayse (outras duas flatmates) foi uma das fases mais "luluzinhas" da minha experiência aqui. Fizemos jantares maravilhosos, com ingredientes frescos e muito vinho, bom papo, café turco. A vizinhança era boa. Çiftehavuzlar é um local bem residencial, com pessoas mais sérias e possui muito verde. Morava pertinho da avenida Bagdat, onde a gente sempre andava a pé ou pegava um dolmush para o agito de Kadikoy.

Depois de viver com as meninas, cada uma de nós encontrou-se perdidamente apaixonada e todas saímos daquele apartamento para morar com nossos respectivos namorados. Na verdade não é uma atitude comum, pois, em linhas gerais na Turquia não é aceitável que você more com seu amado antes de se casar. Convivi então com amigas um pouco fora da curva esperada. Tive a sorte de morar com meninas que representam uma geração mais moderna. Que mesmo tendo nascido em um país muçulmano e com regras rígidas de relacionamento, se apaixonaram e quiseram viver felizes-para-sempre com seus amados em um ninho só deles. Enfim, todas nós seguimos nossos corações e eu me mudei para Acibadem onde vivo até hoje. Acibadem é um bairro mais pacato, silencioso e fica perto de Uskudar, outro bairro "chave" para quem quer cruzar o Bósforo. Acibadem é o que chamo de casa. Já conheço o moço da vendinha, o jardineiro do prédio e o garçom do meu restaurante aqui perto preferido.

Não é fácil encontrar moradia aqui pois em sua grande maioria as casas são mal cuidadas e para serem boas, são caras. Mas não foi tão difícil assim encontrar gente bacana que me recebesse com carinho e com os braços abertos.

Levent



Kadikoy 



Çiftehavuzlar


Acibadem



sexta-feira, 27 de julho de 2012

Meu Ramazan

Oi pessoal!

O mês sagrado do Ramazan começou e é uma época especial para os muçulmanos. O calendário islâmico é lunar, os meses começam quando é lua nova. Como o ano lunar dura 11 dias a menos que o ano solar, o mês do Ramazan não é fixo. Todo ano começa em uma data diferente, sempre 11 dias mais cedo que no ano anterior. Em 2012, o Ramazan começou dia 20/julho e nos próximos 30 dias os fiéis praticarão jejum.

O jejum não é uma dieta e não chega aos pés de uma promessa de carnaval. Significa resignação, sacrifício e os muçulmanos tradicionais cortam a comida, bebida (ambos durante o dia), cigarro e sexo(o mês todo)... A maioria dos muçulmanos usa o mês sagrado para reavaliar suas vidas, lembrar-se de virtudes como compaixão, caridade e perdão, e evitar vícios como o egoísmo, desonestidade.

O jejum é feito durante o dia, começa no nascer e termina no por do sol. A duração deste período muda de acordo com a estação. No inverno rigoroso o jejum dura menos horas pois o sol nasce mais tarde e se põe mais cedo. Neste ano o Ramazan está acontecendo nos longos dias de verão. O sol nasce as 4:00hs e se põe as 21:00hs. Socorro!!! Neste período, os praticantes ficam, sob 40graus, horas sem colocar nada, nem uma gota d'Água na boca. Quando o sol se põe as famílias se reúnem e fazem o jantar de comunhão, chamado "iftar", com comidas tradicionais. Eles jantam, dormem, acordam para o Sahur, que é a última refeição ao redor de 3:00hs, para depois dormir novamente.

Nesta época a cidade tem um ar diferente. Muitos restaurantes oferecem menus especiais para banquetes do "iftar". Eu vejo menos pessoas tomando chá (çay), o que é incrível. As mesquitas ficam iluminadas, coloridas e uma atmosfera de celebração anima a venda de livros religiosos, petiscos, pães. As empresas até presenteiam os funcionários com uns kits de comida parecidos com sexta-básica. Durante a noite alguns músicos com tambor passeiam pela cidade para despertar os dorminhocos que podem perder o Sahur.

O Ramazan pode afetar planos turísticos! Alguns escritórios funcionam menos horas. Museus, mesquitas, etc funcionam quase que normalmente mas é melhor confirmar para não visita-los em dias errados. Alguns restaurantes oferecem apenas um menu fixo e poderão deixar de vender bebidas alcóolicas!!! O pessoal que faz o jejum fica bravo e o trânsito está mais agressivo já que eles se enfrentam por coisa pequena. No final do mês de Ramazan haverá alguns dias de feriado em que os turcos viajam bastante então alguns vôos, hotéis e destaques turísticos poderão estar super lotados.

O Ramazan é na teoria obrigatório e na prática facultativo. Alguns amigos nada religiosos e mais ''relax'' não fazem o jejum há mais de 10 anos. Outros amigos, principalmente aqueles que moram com os pais ou ainda convivem diariamente com tradições religiosas, praticam o jejum sem falta. Os não-muçulmanos (oi!) ou muçulmanos que não fazem jejum também são bem-vindos. Já é meu segundo Ramazan e tudo acontece em plena harmonia e respeito.

A foto tá ruim mas mostra as luzinhas dizendo "bem vindo Ramazan" no Carrefour :)

Laura (Alemanha), Maria & Gu



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Trânsito irritante de Istambul

Oi gente, acho que depois de exato 1 ano e meio na Turquia, já estou íntima deste país a ponto de dar uma bela desabafada pública. Este momento demorou para chegar não exatamente porque ignoro os problemas da rotina turca mas porque eu tento ver as coisas pelo lado positivo! Mas, este tópico me irrita muito.

Istambul é gigante, em linhas geográficas, oceânicas, em número de habitantes, carros, gatos e peixes. Não importa seu salário, sua religião, a marca do seu possante... se você quiser se deslocar um pouquinho para além do seu bairro, vai ter de enfrentar um trânsito infernal. Esteja você no ônibus, carro, metrô, bicicleta, taxi, a pé, não interessa... você está sempre preso no trânsito. Não há raio de lista de iPod que aguente, não há desculpa mais óbvia para estar atrasado, pois você sempre está preso no meio de milhões de pessoas que também estão presas, há no mínimo 1 hora de casa. Sempre.

E a prefeitura não facilita! É construção, é reforma, é mesquita nova no pedaço, é recapeamento. Claro que estas obras se intensificam no verão quando grande parte da cidade viaja para a costa e fica mais de 2 meses fora, aliviando a sensação de lotação. Só que este ano a prefeitura está de brincadeira. Resolveu recapear metade das pistas de uma das pontes portanto estamos no sal, pois só temos 2 pontes e uma delas pifou. E a cereja do bolo é que novos pedágios foram instalados, então sobra gargalo, falta fluxo.

Somos aproximadamente 20 milhões de pessoas em um país sub-desenvolvido colado da Europa.  Consumir automóveis está na moda e é naturalmente bem mais barato que no Brasil. Tem carro enfileirado em infinitos km, dentro de Istambul e nas cidades satélites também. Ninguém escapa. E o pior não é ter tanta fila, é ninguém respeitá-las.

Não há nenhuma placa de "PARE". Não há vagas suficientes (óbvio), pois, por ser muito antiga, a cidade tem pequenas ruas e vielas que não suportam tantos carros. Todo mundo para em cima da calçada, ou mesmo na rua, por 15 minutos, e acha que ligar o pisca-alerta ameniza a situação! Ninguém respeita as leis - se é que elas estão escritas em algum lugar!? - cada um por si pois as leis que eu enxergo são: corte, esprema, feche e se não conseguir furar, dê um totó!...hahaha. Sabe porque o pessoal faz assim? Não há renovação da CNH. Se o tio fez carta de motorista em 1974, até hoje ele dirige com o mesmo documento. Ele nunca refez teste de visão ou de lucidez e ninguém nunca vai saber se ele desenvolveu miopia ou esclerosou! Que absurdo!

Pronto. Falei.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Keep calm and stop overthinking

Já quebrei muito a cabeça para conseguir lidar com expectativas. Elas me deixavam impaciente, controladora, pensativa. Hoje consigo lidar melhor com elas, de maneira bem mais fluída. É que tive de engolir o sapo: esperar faz parte e é um ato relacionado a infinitas variáveis. Imagine só, sofrer com simples possibilidades, sentir o peso de cada única opção, tempos antes do momento necessário. É tempo perdido e pensamento desnecessário pois expectativas não mudam o percurso das coisas. Além do que, durante o caminho de qualquer projeto a gente tem insights e vontades que vão se esclarecendo aos poucos. Esta fase nos aproxima bem mais do que realmente precisamos, e não do que esperamos. Assim espero...

Keep calm and stop overthinking

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mudar com entusiasmo

Mudar é bom e eu gosto. Em Istambul tenho mudado para me envolver na cultura caótica da cidade e para absorver mais das oportunidades que aparecem. E mudo principalmente por mim mesma, para refrescar o olhar que tenho da minha experiência. Em certas ocasiões tenho arriscado sem medo já que o tempo faz toda a diferença pois se eu me acomodar vou perder o ''timing''. Você perdeu o timing quando precisa realmente mudar, e se desespera, pois chegou a hora. Eu não quero isso para mim mais não. Preferi mudar antes que houvesse aquela pressa que dá mais medo do que motivação.

O mais importante é que mudando aprendi a respeitar cada processo de ponderação. Concluí que paciência é uma virtude e investigar faz toda a diferença. Virar a mesa é uma atitude impulsiva que dá gosto no começo mas depois não se sustenta. Quando mudamos bruscamente parece que estamos fugindo de algo... Além do que, as pessoas mais felizes do mundo não chegaram lá com pressa nem sozinhas. É essencial ponderar junto dos envolvidos na mudança. Pois uma coisa é certa; mudando, você leva gente junto que pode (e vai) reagir de forma inesperada. Mas apesar dos obstáculos o melhor de tudo é que você não está sozinho. Eu gosto de ouvir opiniões otimistas pois em qualquer mudança, preciso de ajuda e inspiração de pessoas entusiasmadas. Acredito que idealismo misturado com praticidade é tudo que uma mudança precisa para dar certo.

terça-feira, 6 de março de 2012

Aniversário, saudade ou infinitude

Hoje é meu aniversário. Enquanto recebia os parabéns online, percebi que não apenas hoje mas ultimamente li e escrevi milhões de vezes a palavra "saudade". Devo ter batido recordes desta vez pois a minha experiência na Turquia se tornou o maior acumulo de saudade que eu já vi. Talvez tenha virado uma expert no assunto. Mas isso não faz dela mais fácil. Será que "saudade" é realmente impossível de explicar? Impossível de literalmente traduzir? Pois os artistas escrevem, pintam, musicalizam a saudade. Eu fiz dela um tema de aniversário. Acabei de aniversariar a saudade.

E a minha relação com a saudade está tão intima que hoje cheguei a ponto de renomeá-la, para nortear esta conversa. Pois bem, a saudade é sinônimo de infinitude! Saudade não tem um começo exato, pois ela vem de nascença. A gente mal nasceu e já sente saudade, pois chora desesperadamente para voltar para o colo da mamãe. E quando mais maduros, ela persiste e se intensifica pois mesmo que encontremos alguém diariamente, vai dar saudade no fim de todos estes dias, que eu sei. Saudade não tem um bicho que pica e nem principio ativo que cura, ela é autoimune. Ela dói e conforta ao mesmo tempo. A saudade não está no vidro de shampoo nem na cortina da sala. A saudade está além do que conseguimos cheirar ou enxergar, portanto ela é infinita.

Olha a definição de "infinito" no wikipedia. Ele se parece bem com saudade. "...algo que não tem início nem fim, ou não tem limites, ou que é inumerável. Usado em sentido figurado pode significar Deus, o Absoluto ou o Eterno. É um conceito usado em vários campos, como a matemática, filosofia e a teologia. A intuição percebe-o como uma espécie de "número" maior do que qualquer outro." Sem duvidas de que se tenho tanta saudade, é por que meu trajeto vale a pena de verdade. Às vezes penso que no dia seguinte a saudade vai desapertar, mas, ela acorda mais intensa que no dia anterior. Por isso acho que se a saudade tivesse um símbolo matemático, seria esse também: . Ela afrouxa nas beiradas mas depois vem com tudo e aperta no meio. Hoje ela está apertando bem no meio do meu coração...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Começar novamente e diferente

(eu sei que o tema de vocês já é carnaval, não me irritem)

Coisa que não da para negar: muitos de nos passamos e passaremos a vida toda imersos em um ciclo social que existe desde a era cenozoica. Nasce, estuda, trabalha, casa, filhos, morre. No geral, é isso que vai ser da gente mesmo, então, preferi dar uma apimentada neste trajeto. Resolvi revolucionar de dentro para fora, ou seja, ver diferente em vez de tentar diferenciar o mundo! VALENDO!

Introduções inspiradoras e revoluções internas a parte, quero dizer que Janeiro se parece bastante com o que me propus fazer. Feliz sensação. Eu já dizia que teria mais paciência comigo mesma. Pois bem, tenho tido menos desespero e mais proveito dos pequeninos momentos de desordem, deslizes e erros do dia-a-dia que me fazem mais humana e menos envolta por uma mascara.

A começar pelo clima, do que muito já reclamei pois como me irritou a neve da semana passada, meu Deus! Não parava de nevar, e aparentemente, tudo estava coberto feito chantili. Não bastou nevar por horas, teve tempestade de vento. Gustavo e eu com visitas em casa. Cancelamos todos os planos, abandonamos a balada e trabalhamos 2 dias home office. Ta bonito, ta exótico, ta branquinho, mas fez 17 graus negativos em Istanbul. Ou seja, minha imunidade despencou e para fechar com chave de ouro, apareceu uma herpes (foi mal, mas preciso desabafar) no meu pescoço. Justo eu, que pego gripe uma vez por ano, nunca tomo remédios, acordei com uma pereba destas.

Depois que passou o susto, tentei relaxar. Ah, convenhamos... Não da para estressar com neve, com pereba. Simplesmente não vale a pena desperdiçar energia com tópicos tao incontroláveis (observem a Maria hippie renascendo aqui, ó). E dizia para mim mesma. Puxa o ar e respira fundo. Conte ate 10 e não perca a paciência. A herpes e a neve são, por natureza, sazonais. Assim como qualquer outra estação do ano. Fase negativa assim como vem, ela vai. Os acontecimentos ruins não precisam me surpreender mais.

Se você não é um engenheiro ambiental, as chances de revolução são menores meu caro. Não adianta querer reverter o aquecimento ou, pelo jeito, a volta da era glacial se você trabalha com aplicativos para celular. Falando serio. Muito do que vivo de ruim tenho interpretado como lição de vida e de comportamento. Entendi que o desafio é impulsionar a capacidade interior de alterar e redirecionar a visão do problema. Em vez de achar que esta tudo indo por neve abaixo, parei de conjecturar, e isso me deixou bem menos desesperada. A neve  é  um exemplo simples, mas, tenho tentado não conjecturar demais, conjecturas dificultam a visão das oportunidades disponíveis. Muito melhor compreender que aquele momento vai passar, e que depois, sobrarão experiencia e algumas piadas. Não vim aqui a passeio, mas sim com inúmeras tarefas. Uma delas é saber controlar a mente e não deixar com que ela me controle. O que me incomoda hoje funciona como estímulo ou inquietação para que possa enfrentar, aprender e agir diferente da próxima vez. Ou seja, vou desempenhar lindamente na tempestade que vem...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Neste momento

Ano passado estava tão eufórica para que o próximo ano chegasse, que desprezei o anterior. Este ano estou diferente. Neste momento, eu quero viver este momento. Neste minuto, eu quero viver este minuto. Meu tempo preferido é o agora, exatamente onde estou, vestindo um pijama velho, escrevendo no meu querido blog enquanto os convidados não chegam para a festa.

Não quero desperdiçar e deixar de curtir as pequenas delícias que compõem meu dia. O atraso para finalmente entrar no banheiro, jogar a roupa suja no chão e entrar na água quente. Aproveito o banho lento, que nós mulheres nos permitimos quase sempre e principalmente em dia de festa. Quando o celular tocar aquela música bizarra que continua sendo ring-tone desde 2008, canto o refrão mesmo assim.

Depois do banho, maravilha, saio correndo para o quarto, enrolada na toalha, torcendo para que nenhuma alma presencie o cabelo embaraçado. Ops, quase escorreguei. De frente para o armário, dou-me o direito de ser indecisa antes de escolher um dos meus vestidos: roxo de seda ou verde de renda? Oh céus... Que momento delicioso, na dúvida do vestido que parece durar eternamente. Só sei que agora a vontade de estar bonita parece mais natural do que ser pontual...

Ops, a campainha tocou e o momento mudou!!! Feliz 2012!!!